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Didático?

Maio 19, 2009

Primeiro foi o Paraguai, aparecendo duas vezes no mapa de um livro de Geografia da sexta série, o que já era péssimo. Agora, por acaso, alguém se deu conta que um erro ainda pior estava presente em publicações destinadas para o terceiro ano do Ensino Fundamental de escolas paulistas. Termos impróprios e de conotação sexual foram encontrados na obra “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, comprada aos montes pela Secretaria Estadual de São Paulo para subsidiar o ensino a estudantes com idade média de nove anos. Nove anos, terceira série… Pode? Dizem os subordinados de José Serra que o “equívoco” será resolvido em breve, já que houve ordem para que os livros sejam recolhidos imediatamente.

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A editora Via Lettera, responsável pela obra, justifica dizendo que o livro é voltado para adultos e adolescentes. “Não sabíamos para qual faixa etária seria destinado. Se soubéssemos, avisaríamos a secretaria”, disse o gerente de marketing da empresa, Roberto Gobatto. Caco Galhardo, cartunista que escreveu a história mais criticada da publicação por causa do conteúdo picante, foi além: “O cara que escolheu não leu o livro”.

Se realmente não leu, apesar de chocante, esta é a única explicação que ameniza o episódio. Mas do que, afinal, trata o livro? Bem, a história cuja autoria pertence a Galhardo, por exemplo, é a caricatura de um programa de mesa-redonda de futebol na TV. Enquanto o comentarista faz perguntas sobre sexo, jogadores e treinadores respondem com clichês de programas esportivos, como “o atleta tem de se adaptar a qualquer posição”. Fraquinho? Hã… Isso para não citar as palavras de baixo calão que constituem os apelidos mais “comuns” usados para ânus e sexo oral, se é que vocês me entendem… Meus filhos não leriam.

Embora tenha reconhecido que houve “falha”, o governo de São Paulo explicou que a intenção foi mais uma ação de boa-fé do “grande esforço que se tem feito para estimular o hábito da leitura” na idade escolar, por meio do projeto “Ler e Escrever”. Afirmou ainda que a infeliz comprinha de R$ 35 mil representa “apenas” um dos 818 títulos que os estudantes têm à sua disposição. Em miúdos, dá só 0,067% do total de publicações disponíveis para leitura na escola ou em casa. Como se o zero à esquerda aliviasse o transtorno.

 

Taís Brem 

5 comentários

  1. Mas credo!


  2. Tá Loco!! Vai ler e viver a Bíblia!!! Essa é a solução para o BRASIL!! Foi a solução da minha vida!!


  3. Resolvi seguir os conselhos de Fábio e Carol, que certamente teriam o apoio da Taís, e procurei fugir de leituras com conteúd sexual. Fui ler a Bíblia e li coisas bem amenas como:
    Já despi a minha roupa; como as tornarei a vestir? Já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar?
    O meu amado pôs a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor dele.
    Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos gotejavam mirra, e os meus dedos mirra com doce aroma, sobre as aldravas da fechadura.
    Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado tinha se retirado, e tinha ido; a minha alma desfaleceu quando ele falou; busquei-o e não o achei, chamei-o e não me respondeu.

    Sei não, mas esse texto de duplo sentido( em alguns casos com um sentido só: Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios.), extraído do livro sagrado que me recomendaram, não me parece tão inocente.


  4. Oi querida, quanto tempo. Como vai?

    Quanto ao texto… e depois as pessoas não sabem o que fazer com a desobediência dos filhos! Mas ninguém tem mais critérios. Nem governo, nem escolas, nem sociedade… É preciso repensar muito bem as atitudes.

    Abraços.


  5. Deveria ter distribuído normalmente. Criança de escola pública brasileira na terceira série ainda não sabe ler.



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