Setembro 11, 2009
Eu poderia até dar uma de crente e dizer que tudo que sei sobre a Índia se resume à sua 22ª posição na lista dos 50 países mais intolerantes ao cristianismo, o que a faz um lugar de extrema miséria bem diferente do que a mídia tem mostrado, onde cristãos são brutalmente torturados, acusados falsamente e presos sem motivo, onde milhares de pessoas sofrem com o aumento da violência por parte dos extremistas hindus, etc, etc e tal. Mas, além de me destacar um pouquinho dos cerca de 90% de cristãos brasileiros que sequer sabem o que é uma igreja ser perseguida por seguir a Cristo, eu estaria contribuindo para aumentar a lista dos mentirosos.
Sim, tudo o que escrevi acima é verdade e nossos irmãos indianos sofrem mesmo, até muito mais do que isso. Mas, não, não é apenas isso que sei sobre a Índia. Por culpa do folhetim que até amanhã ocupa o horário nobre global, já posso dizer que conheço um pouco mais da cultura indiana, ainda que nunca tenha colocado os pés na terrinha nem tenha aberto as portas da minha casa para ver o que se passava na telinha durante a exibição de “Caminho das Índias”. É que saber do que eles (os personagens) fizeram e deixaram de fazer foi inevitável. Todo mundo, em todo o momento e em todo o lugar nesse universo que chamam de real falou disso: no ônibus, no ambiente de trabalho, na rua, na chuva, na fazenda… Só a igreja, graças a Deus, escapou! E não dá nem pra colocar a culpa nos últimos capítulos. No início, o assunto era só esse, porque todos queriam saber se Glória Perez estava só engambelando a audiência ou tinha realmente algo mais a desenrolar do que o que sempre faz quando aborda uma cultura internacional em seus enredos. E depois, comprovado que a história era diferente (se é que realmente era), a coqueluche tomou conta do Brasil.
Mérito da noveleira por ter emplacado mais um sucesso ou ponto a menos pros telespectadores que se iludiram pensando que esse tipo de coisa mudaria a vida deles em algum sentido? Não sei. Limito-me a dizer que não ter visto a atração não aumentou sequer um milímetro na minha estatura. E talvez até tenha me deixado um pouco fora do padrão. Mas, tudo bem, não é o fim. Esse, com certeza, não é um motivo para eu me atirar no Ganges ou arder no mármore do inferno. Ops, desculpa a ignorância! Essa última frase era do núcleo marroquino de uma outra novela. Me perdi nos bordões, não é a minha. Melhor ficar com as orações pelos indianos que realmente precisam da nossa audiência.
Taís Brem
Publicado em Mídia | Tagged Índia, caminho das índias, cultura, Deus, ganges, Glória Perez, igreja perseguida, inferno, jesus cristo, novelas, perseguição, rede globo, religião, televisão, tv, violência | Deixar um comentário »
Julho 29, 2009
“Para a infelicidade de todos, não mudei nada depois disso! Fiquei com raiva por ter perdido esse tempo na minha vida. Mas, por sorte, ganhei muito dinheiro em um negócio enquanto estava em coma. Acordei e era só felicidade”.
Chiquinho Scarpa, playboy, sobre o período em que quase morreu por complicações de uma cirurgia de redução de estômago.
“Quer dizer, a vida não tem tanta importância. O que importa é o maldito dinheiro e a vaidade. Legal, né?”.
Rosimari Bosenbecker, esposa dele, indignada com a declaração.
“Infelizmente, meu anjo da guarda, certamente por ordem superior, não impediu meu acidente”.
Papa Bento XVI, em tom de brincadeira, explicando o possível motivo para a queda que o fez fraturar o pulso, dia 17.
“Me perguntam se acho que mereço todo esse dinheiro. Respondo que não sei, mas que Jesus pagou um preço muito mais alto pela minha vida e de outras pessoas com seu precioso sangue na cruz”.
Kaká, jogador de futebol, cristão e, agora, presbítero.
“O Romário é sempre o culpado por tudo. Quero dizer que não matei o Michael Jackson nem trouxe ao Brasil a gripe suína”.
Romário, ex-jogador de futebol, debochando do episódio de sua prisão por dívida de pensão alimentícia.
“Ele disse que Cristo morreu com 33 anos e não teve tempo de pagar em vida o mal da humanidade, então as pessoas têm que pagar o que Cristo não teve tempo de fazer”.
Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, ao falar da resposta que um padre lhe deu certa vez para o questionamento do porquê Deus permitir que aconteçam tantas desgraças no mundo. “Bom, foi a explicação que me deram”, completou, após um breve silêncio.
Publicado em Frases | Tagged anônimos, anjos, celebridades, chiquinho scarpa, declarações, dinheiro, famosos, Frases, jesus cristo, kaká, lily marinho, michael jackson, morte, papa bento XVI, religião, roberto marinho, romário, rosimari bosenbecker, saúde | 1 Comentário »
Julho 24, 2009
“Aquilo que Deus quer, por pior que possa parecer, é o que há de melhor para nós”.
José Alencar, vice-presidente da República, expressando sua fé no Todo-Poderoso, ao comentar a fase crítica que tem passado na luta contra o câncer.
“Se houvesse uma eleição para Deus, eu não votaria neste que está aí”.
Chico Anysio, humorista, no caminho inverso do vice-presidente.
“Sou eu mesma quem faz todas as roupas da Stefhany, tudo com muito cuidado, para não expor a imagem dela”.
Nety, mãe de Stefhany, a “cantora” descoberta via Youtube e que está fazendo o maior sucesso dentro e fora da rede com seu hit “Eu sou Stefhany”. Quem lê, até pensa que o figurino da moça é conservador. Mas engana-se: “Não posso colocar uma roupa comprida numa menina de 17 anos. Não quero que ela aparente ter 20 ou 25”, justifica a mãe…
“Quando jovem, queria ser uma dessas pessoas que saem pelo mundo pregando a palavra de Deus”.
Mara Manzan, atriz global.
“É simplesmente nojento, animal e estúpido as pessoas com a cabeça fechada e que têm medo desse assunto”.
Daniel Radcliffe, mais conhecido como o bruxinho Harry Potter do cinema, falando sobre homossexualismo. O rapaz está na capa mais recente da revista Attitude, voltada ao público gay.
“As chances de haver um velhote que se veste de vermelho e distribui presentes a bordo de um trenó puxado por renas voadoras parecem significativamente maiores do que as de existir uma inteligência infinita que criou o Universo e se interessa pelo destino individual de cada um dos 7 bilhões de terrestres, aos quais conhece desde criancinhas”.
Hélio Schwartsman, colunista da Folha e ateu. Tadinho.
Publicado em Frases | Tagged Frases, declarações, celebridades, anônimos, famosos, religião, josé alencar, ateísmo, Deus, chico anysio, folha, papai noel, câncer, mara manzan, Hélio Schwartsman, fé, rede globo, stefhany | Deixar um comentário »
Julho 16, 2009
“Aprendi a beber vodca e uísque, passei a fumar um maço de cigarro por dia. Me misturei ao personagem, entrei na energia dele… Foi uma entrega muito grande”.
Cauã Reymond, ator, ao comentar os maus hábitos adquiridos na construção de Leo, um personagem “perdedor” que interpreta em “Se nada mais der certo”, de José Eduardo Belmonte.
“Quando eu perdi minha mãe, falei: ‘Meu Deus, eu vou ser filha de quem?’. Aí quando você concebe a ideia de ser mãe, você fala: ‘Meu Deus, eu vou ser mãe de alguém’. É o ciclo que se renova”.
Ivete Sangalo, cantora e grávida de seis meses.
“Não acredito nos vampiros da lenda, nem que haja mutantes como os que eu inventei para divertir as pessoas e fazê-las sonhar e amar. Gosto, sim, de pensar que existem santos, seres milagrosos, fadas e anjos, na vida real. Adoro o universo fantástico e misterioso”.
Tiago Santiago, autor da novela “Os Mutantes” da Record, sobre os personagens místicos que criou para o folhetim.
“Desculpe, Deus, não havia provas suficientes”.
Richard Dawkins, autor do livro “Deus, um delírio”, ao justificar seu ateísmo e responder à pergunta sobre o que faria se caso encontrasse com o Todo-poderoso após a morte. Detalhe, querido Dawkins: Você irá encontrá-lo!
“Não me preocupo com o dinheiro. Mas, certamente, isso ocorre porque o tenho. Essa é a verdade”.
Daniel Radcliffe, estrela de “Harry Potter”.
“Pedi que Deus me sarasse e, desde esse sábado, aconteceu um milagre! Sempre fui assim. Quando a coisa fica estranha jogo na mão dele!”.
Mara Manzan, atriz, sobre a cura de câncer que diz ter sentido depois de clamar a ajuda de Deus.
Publicado em Frases | Tagged anônimos, anjos, cauã reymond, câncer, celebridades, cigarro, cura, declarações, Deus, fadas, famosos, Frases, gravidez, harry potter, ivete sangalo, josé eduardo belmonte, leitura, mara manzan, milagre, morte, mutantes, novelas, record, richard dawkins, santos, tiago santiago, uísque, um delírio, vampiro, vício, vodca | Deixar um comentário »
Julho 2, 2009
O mês de junho já se foi e, com ele, o primeiro semestre do ano. Dizer que “bah, pôxa vida, como o tempo passa rápido” é clichê, mas é real. E a ideia que se tem é de que tudo tem passado mesmo cada vez mais rápido. Nada melhor, então, do que usar retrospectivas para falar do que já se foi.
E aqui está uma prévia, rapidíssima, do que (eu acho) de mais importante ocorreu neste mês.
Começando pela queda da obrigatoriedade do diploma para profissionais de Jornalismo. O Supremo Tribunal Federal, nosso respeitoso STF, decidiu que já não é mais necessário mostrar o certificado de conclusão de uma faculdade de Comunicação Social para exercer a profissão de jornalista. Lamentável. O ministro do STF, Gilmar Mendes, chegou a comparar o jornalista com o cozinheiro, ao argumentar que não é necessário cursar Culinária para se fazer uma boa comida. Isso só pra começo de conversa. A tal da liberdade de imprensa também foi citada como desculpa. Mas, desde quando restringir quem tem autoridade para escrever ou veicular algo é diminuir a liberdade de imprensa? Acaso qualquer um que saiba bem o código penal pode ser advogado? E quem tem um bom tino para corte? Pode ser médico por isso apenas?
Bem, isso foi no dia 17, uma quarta-feira. Oito dias depois, fãs de Farrah Fawcett receberam dolorosamente a notícia de sua morte. Estrela da série “As Panteras” na década de 70, Farrah tinha 62 anos. Foi vítima de cancro do cólon. E, no mesmo dia, muito mais gente ficou chocada ao saber que o “Rei do Pop” também tinha partido. Tudo bem, Farrah Fawcett tinha seu mérito, como todo ser humano. Mas, com certeza, o mundo inteiro sabia quem era Michael Jackson. Farrah Fawcett, nem todos.
Muito já se falou sobre a ida repentina de Michael. Quantos anos ele tinha, qual o álbum fez mais sucesso, os escândalos, as especulações sobre o que o matou etc, etc e tal. Repetir aqui, seria chover no molhado. Entretanto, refletindo sobre estas questões todas que voltam à mente sempre que me deparo, na mídia, com um novo dado sobre a morte dele, tive um estalo, dia desses. Acho que o mais triste desta notícia não foi, simplesmente, o falecimento físico do cantor. Mas uma sensação de que nunca mais teremos a chance de vê-lo recuperado dos baixos que marcaram sua carreira. O retorno que ele preparava para os palcos não configurou. Então, já era. Não tem mais volta, entende? Já não há mais chance de, de repente, se deparar com um novo Michael. A não ser no céu, se é que ele foi pra lá. Isso, pra mim, parece o mais lastimável.
Taís Brem
Publicado em Anotações | Tagged diploma, farrah fawcett, gilmar mendes, imprensa, jornalismo, Mídia, michael jackson, morte, retrospectiva, stf, supremo tribunal federal | 1 Comentário »
Junho 26, 2009
“Se não trabalho, o diabo vem morar aqui na minha cabeça. E ele já se instalou, tá vendo esse terreno aqui?”
Erasmo Carlos, músico, apontando para própria cachola ao responder porque dedica tanto tempo ao trabalho.
“O crack é o único negócio que me balança. Seu aparecimento abalou minha decisão de princípio, que é ser a favor da legalização das drogas”.
Caetano Veloso, músico também, ao comentar que se sente “triste por ver que a pedra tem efeito muito rápido e destrói muita gente pobre e desavisada”.
“Na minha opinião, ser mãe não é uma opção. É um degrau que a pessoa tem que pisar se quiser caminhar pra frente”.
Maria Mariana, a atriz que ficou famosa com a peça “Confissões de Adolescente” e que, agora, cresceu e virou mãe.
“Adoro o mundo gay e me inspiro muito em travestis para me maquiar… Por isso, não tem lugar melhor para eu comemorar meu aniversário”.
Francine Piaia, ex-BBB e novata no mundo das celebridades, ao explicar o motivo de ter escolhido uma boate gay para comemorar mais um aninho de vida.
“Acho que não há nada que um pai lamente mais do que ter machucado sua filha, por não ter conseguido olhar mais para ela do que para si próprio”.
Nando Reis, músico, sobre o teor implícito da composição “Só para So”, feita para sua filha adolescente Sophia.
“Tenho medo de ficar doente em algum momento da minha vida. Pode parecer meio dramático, mas é do que eu tenho medo. Seria a única coisa que interromperia toda essa alegria de viver”.
Eliana, apresentadora de TV.
“Ele foi o responsável por difundir a música negra para o mundo. Ela entrou em espaços onde não entrava antes, fazendo os brancos dançarem”.
Carlinhos de Jesus, coreógrafo, ao comentar a morte do astro pop Michael Jackson. O falecimento ocorreu no início da noite de ontem, em Los Angeles.
Publicado em Frases | Tagged adolescentes, anônimos, bbb, caetano veloso, carlinhos de jesus, celebridades, crack, declarações, diabo, drogas, eliana, erasmo carlos, famosos, francine piaia, Frases, gays, homossexuais, los angeles, maria mariana, maternidade, música, michael jackson, morte, nando reais, negros, pop, só para so, televisão, tv | 3 Comentários »
Junho 19, 2009
Não dá pra dizer que não acredito no que está acontecendo. Tampouco encaixa falar que estas são coisas de que “até Deus duvida”. Mas que choca, choca. Desde que o novo reality show da Record foi ao ar, só se houve falar baboseira sobre o programa. Quero dizer, baboseira é o que soa aos meus ouvidos. Para a audiência e, principalmente, aos que conceberam e liberaram a transmissão deste troço chamado “A Fazenda” tudo é absolutamente normal.
É tão normal que virou coisa corriqueira chamar entradas ao vivo da casa para os programas da emissora. Inclusive o religioso “Fala que Eu Te Escuto” entrou na roda. Soube de um dia em que um dos bispos-apresentadores fez menção ao reality, colocou no ar as cenas do que ocorria no local naquele momento e, depois de ficar “constrangido” com uns três palavrões falados pelos participantes, se ligou que aquele não era um bom momento para a intervenção. A enquete daquele dia, porém, acompanhou a onda e perguntou aos telespectadores qual era o motivo de tanta briga rolando lá dentro.
Se fosse só briga, talvez, o caso não fosse tão ruim. Afinal, desentendimentos são relativamente aceitáveis quando se fala em relacionamento humano. Mas e as doses apimentadas de sexo e pouca-vergonha? São normais também, ainda que os participantes estejam numa emissora “religiosa”? Esqueceram deste detalhe, certamente.
Toda hora tem aparecido na mídia um escandalozinho típico de que quem quer garantir seus quinze minutos de fama. Um dos últimos é de Théo Becker (pelotense como eu, que vergonha!), que nem se preocupou em esconder “as partes” enquanto se secava na toalha, após sair do banho. “Eu sei que depois eles colocam aquele ‘pretinho’”, justificou o abençoado, referindo-se às tarjas pretas costumeiramente colocadas para tapar o que não deve ser visto.
Na foto divulgada via internet, realmente o pretinho estava lá, embora não deixasse de sugerir todo o resto. Mas, nas cenas em que a Record pretende passar pelo canal pago Net, creio que não rola, não. É isso mesmo: a ideia da emissora é negociar um pay-per-view, aquele sistema que permite aos telespectadores que tem TV a cabo verem, a qualquer hora do dia, programações específicas, sem cortes e sem censura. Traduzindo, sem pretinhos.
A Globo e seu BBB que se cuidem. Além das melhorias em noticiários e teledramaturgia, a Record está querendo ganhar o primeiro lugar, também, na baixaria. E moral pra isso eles têm.
Taís Brem
Publicado em Mídia, Polêmicas | Tagged a fazenda, audiência, bbb, fala que eu te escuto, globo, internet, Mídia, net, pay per view, reality show, record, rede record, televisão, théo becker, tv, tv a cabo | Deixar um comentário »
Junho 5, 2009
Para diferenciar da versão infantil, agora, o desenho é no estilo japonês, à moda mangá. E os seus protagonistas cresceram. Em vez das briguinhas que separavam meninos da meninas, por causa dos hormônios à flor da pele, neste momento, a preferência fica por programas que os deixem mais perto “umas dos outros”. Tá achando que já leu este post por aqui? Engano seu! Não, não se trata de uma apresentação da revista Turma da Mônica Jovem. O conteúdo é muito parecido, mas o título remete a outro clássico de nossas memórias de criança: Luluzinha Teen. O gibi com a nova fase da garota e sua turma foi pras bancas hoje, em todo o Brasil.

Pelo que vi das prévias, a revistinha nova vem cheia de mensagens que subliminarmente impulsionam a criança a querer crescer mais rápido que o conveniente. Afinal, não creio que serão os jovens o público que a Editora Ediouro realmente acertará em cheio. Portanto, exemplos “da hora” não faltarão para os pequenos curtirem e seguirem.
A galera do gibi é chegada a uma boa paquera, a umas boas compras no shopping e a uma boa surfada, seja ela em cima de uma prancha ou na internet. Normal, né? Como explica Daniel Stycer, editor-chefe dos novos quadrinhos “ninguém, aos 15, 16 anos, é exatamente da mesma forma de quanto tinha 7. A modificação é natural”. Então, tá bom.
Nas notícias que permeiam o lançamento de Luluzinha Teen, apareceu na mídia, inclusive, uma entrevista com Maurício de Sousa, o rival. Ele disse ter achado que até demorou para surgir algo do gênero, claramente disposto a competir com sua turminha. Entretanto, em vez de se preocupar somente em vender mais que Lulu, diz ele que a Mônica estará com foco, primeiro, em ser de melhor qualidade. Será que consegue?
Taís Brem
Publicado em Mídia, Polêmicas | Tagged crianças, jovens, turma da mônica, maurício de sousa, mônica, luluzinha teen, luluzinha, gibi, mangá, Daniel Stycer, Ediouro | Deixar um comentário »
Maio 19, 2009
Primeiro foi o Paraguai, aparecendo duas vezes no mapa de um livro de Geografia da sexta série, o que já era péssimo. Agora, por acaso, alguém se deu conta que um erro ainda pior estava presente em publicações destinadas para o terceiro ano do Ensino Fundamental de escolas paulistas. Termos impróprios e de conotação sexual foram encontrados na obra “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, comprada aos montes pela Secretaria Estadual de São Paulo para subsidiar o ensino a estudantes com idade média de nove anos. Nove anos, terceira série… Pode? Dizem os subordinados de José Serra que o “equívoco” será resolvido em breve, já que houve ordem para que os livros sejam recolhidos imediatamente.

A editora Via Lettera, responsável pela obra, justifica dizendo que o livro é voltado para adultos e adolescentes. “Não sabíamos para qual faixa etária seria destinado. Se soubéssemos, avisaríamos a secretaria”, disse o gerente de marketing da empresa, Roberto Gobatto. Caco Galhardo, cartunista que escreveu a história mais criticada da publicação por causa do conteúdo picante, foi além: “O cara que escolheu não leu o livro”.
Se realmente não leu, apesar de chocante, esta é a única explicação que ameniza o episódio. Mas do que, afinal, trata o livro? Bem, a história cuja autoria pertence a Galhardo, por exemplo, é a caricatura de um programa de mesa-redonda de futebol na TV. Enquanto o comentarista faz perguntas sobre sexo, jogadores e treinadores respondem com clichês de programas esportivos, como “o atleta tem de se adaptar a qualquer posição”. Fraquinho? Hã… Isso para não citar as palavras de baixo calão que constituem os apelidos mais “comuns” usados para ânus e sexo oral, se é que vocês me entendem… Meus filhos não leriam.
Embora tenha reconhecido que houve “falha”, o governo de São Paulo explicou que a intenção foi mais uma ação de boa-fé do “grande esforço que se tem feito para estimular o hábito da leitura” na idade escolar, por meio do projeto “Ler e Escrever”. Afirmou ainda que a infeliz comprinha de R$ 35 mil representa “apenas” um dos 818 títulos que os estudantes têm à sua disposição. Em miúdos, dá só 0,067% do total de publicações disponíveis para leitura na escola ou em casa. Como se o zero à esquerda aliviasse o transtorno.
Taís Brem
Publicado em Polêmicas | Tagged caco galhardo, cartuns, dez na área um na banheira e ninguém no gol, educação, geografia, gibis, josé serra, leitura, livros, paraguai, polêmica, roberto gobatto, são paulo, sexo, via lettera | 5 Comentários »